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O Perfil do Investidor Particular Português em Valores Mobiliários Maio de 2001


3. Resultados do inquérito
 
3.1 Taxa de detenção de valores mobiliários  

A taxa de detenção de valores mobiliários é, respectivamente, nos questionários Q99 e Q01 de 14,5% e 10,3%. Os valores são bastante diferentes e parecem mostrar que o número de investidores decresceu entre 1999 e 2001. No entanto, deve assinalar-se que estes valores foram obtidos por métodos diferentes. 

3.2 Caracterização sócio-demográfica do investidor
 
Como se pode ver no Gráfico 1, cerca 69% dos investidores são do sexo masculino e 31% do sexo feminino. 
 

Gráfico 1 - Distribuição dos investidores por sexo

 

O Gráfico 2 mostra a distribuição dos investidores no Q01por faixa etária e nele pode ver-se que a maioria destes tem entre 25 e 54 anos. 
 

Gráfico 2 - Distribuição dos investidores por idade

 

Pode ver-se no Gráfico 3 que a grande parte dos investidores tem pelo menos o ensino secundário completo. A comparação entre os questionários é dificultada pelo facto da soma de cada uma das percentagens exceder 1 no questionário de 1999 mas, os resultados de um e de outro aparentam ser muito semelhantes. 
 

Gráfico 3 - Habilitações literárias

 

No que respeita à situação no emprego pode ver-se no Gráfico 4 que há investidores em todos os tipos de profissões, predominando os patrões/proprietários e profissionais liberais em deterimento dos quadros superiores e inactivos. 

Gráfico 4 - Situação no emprego

 

O Gráfico 5 mostra que os investidores são oriundos, sobretudo, dos extractos sociais B e C.

Gráfico 5 - Estrato social

 

Na sua grande maioria os investidores são casados (Gráfico 6).
 
Gráfico 6 - Estado civil
 

 

As classes de rendimento do Q99 e Q01 são muito diferentes, no entanto no Quadro 1 é feita uma tentativa de comparação. 
 
Quadro 1 - Classes de rendimento
 
Classes de rendimento Quest. 99 Quest. 01
Até 1.500

11,3

 

33,1

1.501 a 3.000 ​​

30,1

3.001 a 4.500

21,4

 

25,3

4.501 a 5.000

9,4

5.001 a 6.000  

9,6

6.001 a 7.500

 

 

9,1

7.501 a 10.000

5,3

Mais de 10.000

4,7

NS/NR

18,8

22,1

 
 
Tal como seria de esperar, do facto da maioria dos investidores serem casados, a dimensão do agregado familiar é quase sempre superior ou igual a 2 (ver Gráfico 7). 

Gráfico 7 - Dimensão do agregado familiar 

 

 

O Gráfico 8 mostra a distribuição dos investidores pelas regiões. Lembramos que o inquérito obedeceu a quotas de repartição por região. 

Gráfico 8 - Distribuição dos investidores por regiões

 

O Gráfico 9 mostra que do investimento em valores mobiliários a grande maioria é feito em acções. 

Gráfico 9 - Investimento por tipo de valor mobiliário

 

Dos inquiridos no Q01 que investem em produtos derivados 42% têm futuros, 25% opções e 33% não responderam à questão. As empresas que os investidores escolhem para fazer as suas aplicações são as seguintes: 
 

Quadro 2 - Escolhas dos investidores para fazer as suas aplicações

Questionário 01
EDP

71%

Portugal Telecom

21%

Brisa

18%

Cimpor

18%

BCP

15%

Sonae

7%

P.T. Multimédia

7%

No que respeita aos mercados, segundo o Q01, 96% dos inquiridos investe apenas no mercado português, 1% apenas em mercados estrangeiros e 2% investem em ambos os mercados. Os investidores que fazem aplicações em mercados de títulos estrangeiros citaram os seguintes mercados EUA (23%), França (5%), Inglaterra (5%), Espanha (5%) e Alemanha (5%). 54% dos indivíduos não sabe ou não responde. A grande maioria dos inquiridos investe há pelo menos um ano e mais de 60% há pelo menos dois anos (ver Gráfico 10). 

Gráfico 10 - Antiguidade da conta de títulos

Gráfico 10 - Antiguidade da conta de títulos 

 

Dos inquiridos 24% consideram-se investidores de curto prazo (1 mês a 1 ano); 46% de médio prazo (1 a 3 anos) e 23% de longo prazo (mais de 3 anos). No que diz respeito às entidades relacionadas com o mercado de valores mobiliários são os bancos e a bolsa os mais citados pelos investidores. Verifica-se que, de 1999 para 2001, qualquer uma das instituições, excepto a Interbolsa, é citada por mais cerca de 20% dos inquiridos. 

Quadro 3 - Notoriedade das instituições

Questionário 99Questionário 01
Bancos 55% Bancos 76%
BVL 27% BVLP 51%
Corretores 11% Corretores 36%
CMVM 9% CMVM 29%
BDP 7% Interbolsa 10%
Interbolsa 6%   

A grande maioria dos investidores faz as suas aplicações através de um único intermediário financeiro (Gráfico 11).

Gráfico 11 - N.º de intermediários financeiros em que o investidor tem conta de títulos 

 

3.3 Perfil de risco do investidor e o conhecimento do mercado

O mercado nacional teve uma classificação média quanto ao risco nos questionários Q99 e Q01 de, respectivamente, 4,82 e 4,68 para uma escala de 1 (muito baixo) a 7 (muito elevado). A classificação mais frequente foi 5 o que significa que os inquiridos percebem o mercado nacional como tendo um risco médio alto.

Gráfico 12 - Classificação do risco de investimento no mercado de títulos nacional

 

Os investidores classificam-se quanto ao risco, numa escala de 1 (muito avesso) a 7 (muito propenso), com pontuação média de 4,2 e 4,17 no Q99 e Q01, respectivamente. Isto significa que os investidores se consideram neutros ao risco. 
 
Gráfico 13 - Auto-classificação quando ao risco de investimento no mercado de títulos nacional
 

 

 

O Quadro 4 mostra as escolhas de investimento que os inquiridos fariam se ganhassem 10.000 contos com a obrigação de os aplicar no mercado de valores mobiliário. Os números são muito semelhantes em ambos os questionários. A maior diferença é que no Q01 há uma maior percentagem de investidores dispostos a aplicarem montantes entre 8.001 e 10.000 contos em acções do que no Q99 (31% contra 18%) e a situação inverte?se para montantes entre os 4.001 a 5.000 (17% contra 24%). É curioso notar que embora os inquiridos se considerem neutros ao risco, apenas 30% não investiria em acções. Além disso, perto de 60% não investiria em aplicações sem risco. 

Quadro 4 - Se tivesse 10.000 contos disponíveis onde investiria?

Montantes investidos (contos) Aplic. sem riscoAcçõesUPObrigações
 

Q. 99

Q. 01

Q. 99

Q. 01

Q. 99

Q. 01

Q. 99

Q. 01

8.001 a 10.000 12% 13% 18% 31% 6% 4%

 

7%

 

6%

5.001 a 8.000 6% 7% 5% 6% 1% 2%
4.001 a 5.000 14% 14% 24% 17% 8% ​​6%
3.001 a 4.000 2% 2% 3% 3% 2% 1% 2% 1%
2.001 a 3.000 5% 5% 8% 8% 4% 3% 5% 3%
1.001 a 2.000 4% 3% 6% 4% 3% 2% 4% 2%
1 a 1000 2% 1% 2% 2% 2% 1% 2% 1%
0 56% 57% 34% 30% 74% 81% 80% 87%
Investimento médio 2.591 6.181 3.830 6.727 1.358 5.141 742 4.262

A ocorrência de um crash bolsista e a realização de menos valias são, de acordo com o Quadro 5, os dois principais receios dos investidores relativamente ao mercado. O terceiro maior motivo de receio é a possibilidade de manipulação de mercado. 

Quadro 5 - Maiores receios relativamente ao mercado

Questionário 99Questionário 01
Ocorrência de um crash 60% Ocorrência de um crash 72%
Realização de menos valias 28% Realização de menos valias 16%
Facilidade de manipulação 12% Facilidade de manipulação 9%
Factores externos ao país 9% Factores externos ao país 8%
Falta de liquidez 7% Falta de liquidez 6%
Não ser rendimento "certo" 5% Investimento dispendioso 2%
 

Face a uma forte descida da cotação, dos investidores inquiridos: 

  • 56% não vendia e esperava o preço subir; 
  • 25% não vendia e consultava o gestor de conta/bancário; 
  • 13% vendiam imediatamente; 
  • 7% compravam mais títulos. 

Os inquiridos classificaram o seu grau de conhecimento do mercado com pontuação média, usando uma escala de 1 (nada conhecedor) a 7 (muito conhecedor), 3,50 e 3,59 nos questionários de 1999 e 2001, respectivamente. Os investidores parecem assim considerar que os seus conhecimentos são inferiores à média. 

Gráfico 14 - Grau de conhecimento do mercado

 

O Quadro 6 mostra a classificação média, na escala de 1 (muito mau) a 7 (muito bom), atribuída a algumas características do mercado de valores mobiliários. No Q01, as pontuações, exceptuando o acesso, são todas a baixo (mas perto) de 4, o que significa que para estes diferentes aspectos o mercado é considerado ligeiramente inferior ao desejável. 

Quadro 6 - Classificação média atribuída a algumas características mercado

Questionário 99 Questionário 01
Abuso de inf. Privilegiada - Abuso de inf. privilegiada 3,7
Manipulação do mercado 3,6 Manipulação do mercado 3,8
Grau de desenvolvimento 4,3 Grau de desenvolvimento 3,8
Liquidez - Liquidez 3,7
Fácil acesso 4,4 Fácil acesso 4,3
 

3.4 Notoriedade das entidades

O Quadro 7 mostra os emitentes mais conhecidos pelos inquiridos.

Quadro 7 - Notoriedade dos emitentes

Questionário 99 Questionário 01
EDP 84% EDP 77%
Portugal Telecom 65% Portugal Telecom 65%
Brisa 48% Cimpor 51%
Cimpor 47% Brisa 39%
Sonae 23% Sonae 35%
Telecel 18% BCP 29%
BCP 15% Telecel 18%
BPA 11% BES 11%
 

Quadro 8 - Identificação de siglas

  CMVMBVL  BDP
  Q. 99 Q. 01 Q. 99 Q. 01 Q. 99
Completa 9,7% 22,8% 55,7%   13,4%
Incompleta 4,8% 6,3% 1,6%   7,0%
Incorrecta 2,2% 9,9% 1,7%   2,5%
Não sabe/não responde 83,2% 61,0% 41,0%   77,1%

Refira-se que, a CMVM foi identificada por 17% e 22% dos inquiridos (nos Q99 e Q01, respectivamente) como a entidade à qual se deve recorrer em caso de uma queixa ou reclamação sobre um intermediário financeiro, uma entidade emitente outra entidade relacionada com o mercado de valores mobiliários. 

Numa escala de 1 (muito má) a 7 (muito boa) a classificação média atribuída à actuação da CMVM foi de 4,56 no Q99 e 4,33 Q01. Note-se que cerca de metade dos inquiridos não têm opinião sobre (ou não consegue avaliar) a actuação de CMVM. Registe-se no entanto a melhoria significativa que se registou neste aspecto uma vez que de 1999 para 2001 o número de inquiridos que não responderam desceu mais de 10%.

Gráfico 15 - Actuação da CMVM

 

3.5 Acompanhamento do mercado de títulos

Como se pode ver no Gráfico 16 as principais fontes de informação dos investidores portugueses são o intermediário financeiro e a televisão/rádio.

Gráfico 16 - Fontes de informação

 

A maioria dos investidores, como se pode ver no Gráfico 17, informa-se sobre o mercado de valores mobiliários com bastante frequência: pelo menos uma vez por semana.

Gráfico 17 - Periodicidade de informação

 

É curioso verificar que, apesar da generalidade dos investidores se informar sobre a evolução das cotações pelo menos uma vez por semana, a maioria dos inquiridos dizem fazer transações apenas ocasionalmente (ver Gráfico 18).

Gráfico 18 - Periodicidade de movimentação da carteira

 

A obtenção de mais valias e de um rendimento superior ao dos depósitos e os benefícios fiscais são, como se pode ver no Quadro 9, os principais motivos para investir no mercado de valores mobiliários. 

Quadro 9 - Razões para a tomada de decisão de investimento

Questionário 99 Questionário 01
Realizar mais valias 45% Realizar mais valias 42%
Aplicação de rendimento superior à dos depósitos 38% Aplicação de rendimento superior à dos depósitos 36%
Razões fiscais 25% Razões fiscais 26%
Amigos / conhecidos / familiares 13% Conselho do gestor bancário 14%
Conselho do gestor bancário 12% Amigos / conhecidos / familiares 13%
Gostar do risco 5% Gostar do risco 6%

A notoriedade dos emitentes e o conselho do intermediário financeiro são segundo os resultados mostrados no Quadro 10 o que leva os investidores a fazerem uma determinada aplicação numa empresa. 

Quadro 10 - Critérios de selecção dos investimentos

Questionário 99Questionário 01
Empresas de grande dimensão 32% Empresas de grande dimensão 35%
Conselho do gestor de conta 25% Conselho do gestor de conta 25%
Empresas de grande notoriedade 21% Dividendos que se espera vir a obter 21%
Conselho de amigos/conhecidos/familiares 18% Evolução das cotações 18%
Dividendos que se espera vir a obter 15% Empresas de grande notoriedade 14%
Critérios técnicos 12% Conselho de amigos/conhecidos/familiares 14%
    Critérios técnicos 10%