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Estatísticas

Estatísticas periódicas


Indicadores trimestrais de intermediação financeira

4º trimestre de 2020


Execução de ordens por conta de outrem

No quarto trimestre de 2020, o volume de ordens executadas no mercado a contado pelos intermediários financeiros a operar em Portugal totalizou 27.005,8 milhões de euros, mais 3,9% do que no trimestre anterior e mais 40,7% do que em igual período de 2019.

As ordens executadas sobre dívida privada decresceram face ao terceiro trimestre, recuando 13,7%, enquanto sobre dívida pública e sobre ações subiram 7,7% e 27,6%, respetivamente.

As transações realizadas fora de mercado representaram 24,0% do total de ordens, tendo aumentado 10,7% para 6.476,3 milhões de euros. A internalização de ordens caiu 21,9%, para 6.567,8 milhões de euros. As transações nos mercados nacionais pesaram 4,5% do total no quarto trimestre e ascenderam a 1.207,7 milhões de euros, mais 39,3% do que nos três meses anteriores.

O Banco Comercial Português foi o intermediário financeiro com a quota de mercado mais elevada (33,3%) no segmento de ações, seguido do Banco Santander Totta (19,5%) e do Caixa - Banco de Investimento (11,0%). Nas ordens sobre dívida pública liderou o BNP Paribas - Sucursal em Portugal (99,2%), seguido do Banco Santander Totta, com uma quota de mercado de 0,4%, e do Banco Comercial Português (0,2%). Já nas ordens sobre dívida privada, o BNP Paribas - Sucursal em Portugal teve a maior quota de mercado, com 92,9%, seguido do Banco Santander Totta (4,9%) e do Haitong Bank (0,6%).

No mercado a prazo, o valor transacionado entre outubro e dezembro totalizou 24.162,8 milhões de euros, mais 39,2% do que nos três meses anteriores e mais 162,0% face ao valor registado em igual período de 2019. Os CFDs representaram 30,0% do total de ordens executadas neste mercado, tendo o valor negociado neste instrumento financeiro sido de 7.241,4 milhões de euros. Os contratos de futuros pesaram 0,7% do total, as opções 17,0% e os outros derivados 52,3%.

As taxas de juro de curto prazo foram o ativo subjacente mais procurado no período considerado (28,5% do total), com o valor das ordens a totalizar 6.893,3 milhões de euros.

As ordens sobre derivados foram sobretudo internalizadas (64,4% do total), enquanto 28,7% foram executadas fora de mercado, 0,7% nos mercados nacionais e 6,3% nos mercados internacionais.

Receção de ordens por conta de outrem

Entre outubro e dezembro, o valor das ordens recebidas no mercado a contado pelos intermediários financeiros registados na CMVM totalizou 29.504,2 milhões de euros, mais 6,7% do que nos três meses anteriores e mais 49,5% quando comparado com o período homólogo de 2019.  

Os investidores residentes foram responsáveis por 40,4% do valor das ordens recebidas, num total de 11.905,9 milhões de euros, uma subida de 22,5% face ao terceiro trimestre. Já as ordens dos investidores não residentes decresceram 1,9% para 17.598,4 milhões.

A dívida pública foi o ativo financeiro mais procurado (62,4% do total), com um crescimento trimestral de 9,7%, seguida dos títulos sobre dívida privada e ações, que atingiram, respetivamente, 5.034,3 milhões de euros e 4.887,5 milhões. 

Quanto ao investimento por país, França recebeu 30,1% do valor das ordens (4.998,1 milhões de euros), seguida de Reino Unido (25,5%), Países Baixos (14,4%), Estados Unidos (11,8%) e de Portugal (10,5%).

Os canais tradicionais (telefone, fax, presencial) continuaram a ser os mais utilizados para a transmissão de ordens (62,6% do total). A utilização da Internet para transmissão de ordens teve um aumento trimestral de 31,6%.

No mercado a prazo, o volume das ordens recebidas por intermediários financeiros situou-se em 35.484,8 milhões de euros, uma subida de 14,4% face aos três meses anteriores. Os CFDs (42,4% do total) e os futuros (13,5%) foram os instrumentos financeiros mais utilizados pelos investidores no período considerado, enquanto ao nível dos ativos subjacentes, as preferências recaíram sobre os índices (36,1%) e as taxas de juro de curto prazo (19,4%).

Negociação por conta própria

No mercado a contado, o valor transacionado pelos intermediários financeiros por conta própria decresceu 4,9% para 42.180,6 milhões de euros no quarto trimestre de 2020, em relação aos três meses anteriores, tendo recuado 16,4% face ao período homólogo.

A dívida pública foi o valor mobiliário mais procurado para negociação por conta própria, 56,5% do total. As transações de títulos de dívida privada cresceram 1,9% no período considerado para 4.492,4 milhões de euros.

No segmento acionista, o valor negociado por conta própria caiu 67,4% em relação ao terceiro trimestre, tendo aumentado 3,2% face ao período homólogo. Os títulos nacionais mais transacionados foram os da EDP (25,5% do total), da Jerónimo Martins (18,1%), da Galp (13,2%) e da Altri (10,5%).

No mercado a prazo, o valor das transações por conta própria subiu 17,8%, para 8.013,7 milhões de euros. Deste montante, 81,3% teve como finalidade a negociação, enquanto 18,7% se destinou ao hedging.

Os contratos de futuros foram o instrumento financeiro derivado mais utilizado nas carteiras de negociação, representando 94,4% do valor dos negócios. As taxas de juro de curto prazo e as taxas de juro de médio e longo prazo foram os ativos subjacentes preferenciais dos intermediários financeiros, representando, respetivamente, 35,2% e 8,2% do total dos derivados.

Concessão de crédito para a realização de operações sobre valores mobiliários

O montante utilizado[1] dos créditos concedidos para a realização de operações sobre valores mobiliários totalizou 1.071,9 milhões de euros entre outubro e dezembro, menos 21,3% do que nos três meses anteriores. Deste montante, 38,8% foi concedido pelo ABANCA - Sucursal em Portugal, 32,5% pelo Banco Comercial Português e 17,7% pela Caixa Geral de Depósitos.

Registo e depósito de valores mobiliários por conta de outrem

O montante de registo e depósito de valores mobiliários por conta de outrem situou-se em 255.173,6 milhões de euros no quarto trimestre de 2020, mais 7,9% do que nos três meses anteriores e mais 7,1% do que no período homólogo de 2019. Os clientes residentes representavam 76,1% do valor total no final de dezembro, sendo que 44,0% operaram nos mercados regulamentados.

Registo e depósito de valores mobiliários por conta própria

O montante de registo e depósito de valores mobiliários por conta própria totalizou 137.239,5 milhões de euros no quarto trimestre, mais 0,6% do que no trimestre anterior e mais 9,3% do que no período homólogo. Os clientes residentes representavam 65,7% do montante total, sendo que 44,5% operaram nos mercados regulamentados. 

Situação patrimonial e indicadores económico-financeiros

As comissões líquidas cobradas pelas sociedades corretoras e sociedades financeiras de corretagem situaram-se em 7,0 milhões de euros no final do terceiro trimestre, o que representa uma descida de 6,3% face ao período homólogo. O ativo e passivo, ajustados de operações pendentes de liquidação, cresceram no mesmo período 14,7% e 16,4%, respetivamente.

Os capitais próprios e equiparados dos intermediários financeiros representaram 15,4% do passivo no final de setembro, contra 17,2% em igual período do ano anterior. A rendibilidade dos capitais próprios foi de 6,2%, contra 10,6% em setembro de 2019.



[1] O montante utilizado é calculado com base no saldo registado no trimestre anterior, adicionado dos valores utilizados e subtraído das amortizações verificadas trimestre.