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Comunicados

CMVM publica “Risk Outlook” para 2022


​14 de janeiro de 2022

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) publicou hoje o Risk Outlook 2022, que analisa os riscos mais significativos que se perspetivam para 2022. São identificados três principais riscos: o risco de mercado, os riscos associados à digitalização e os riscos ESG (Environmental, Social, and Governance).

Em termos de risco de mercado, o eventual aumento da taxa de inflação e das taxas de juro poderá inverter o ritmo de ganhos no mercado acionista. Essas correções de preços poderão ser exacerbadas devido à excessiva alavancagem de alguns investidores, que poderão ser forçados à alienação de posições. Subidas das taxas de juro mais rápidas do que o esperado e o surgimento de novas variantes com maior severidade de doença associada induzirão potencialmente maior volatilidade nos mercados financeiros.

O Risk Outlook analisa igualmente os riscos potenciais para 2022 decorrentes da digitalização. Aqui são destacados o risco de ciberataques, cibercrime e de fraude, e ainda riscos decorrentes da prática de intermediação financeira não autorizada, da oferta de instrumentos a investidores com poucos conhecimentos financeiros e da disseminação de informação inexata. Outro risco reside no rápido crescimento de ativos alternativos e digitais (como os criptoativos) que se encontram, maioritariamente, fora do quadro regulamentar.

Relativamente aos riscos associados às externalidades negativas que a atividade humana tem no ambiente, na sociedade e na governação das empresas (riscos ESG), a partir de certo nível, e não existindo uma correta mitigação, a sua materialização faz com que os respetivos efeitos negativos sejam irreversíveis. Os efeitos da inação humana na transição para uma economia sustentável serão sentidos, entre outros, no preço da energia, na disponibilidade de matérias-primas e de bens de produção, e em tensões sociais, o que limitará o crescimento económico e pressionará as taxas de inflação com impacto no desempenho dos mercados financeiros e na economia real. Persistem desafios à perceção e compreensão pelos investidores da informação não financeira, pela ausência da sua padronização, exacerbando assim os riscos de greenwashing e de uma incorreta internalização das respetivas externalidades.

No contexto macroeconómico e financeiro, a expectável normalização da política monetária, as pressões inflacionistas, o phasing out de apoios públicos a famílias e empresas e o fim das moratórias serão desafios particularmente relevantes em 2022, uma vez que poderá assistir-se à deterioração da situação financeira das famílias e Estados e ao avolumar de insolvências em alguns setores de atividade.

Para além da retirada de estímulos monetários, os sucessivos aumentos dos preços da energia, a disrupção de cadeias de abastecimento, o aumento dos custos de transporte de mercadorias, a escassez de matérias-primas e de mão-de-obra, o ambiente de incerteza e o desconhecimento face à evolução dos modelos de negócio no pós-pandemia podem desacelerar o ímpeto da recuperação. Continuarão a ser, por isso, relevantes os apoios que permitam transições tão suaves quanto possível quando ocorrer o fim das medidas públicas de apoio à economia. 


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