CMVM
skip
Idioma
pageBackground
Comunicados

Relatório sobre os Mercados de Valores Mobiliários – 2020


16 de julho de 2021

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários publicou hoje o "Relatório sobre os Mercados de Valores Mobiliários" de 2020, que analisa a evolução do mercado nacional e dos principais mercados globais e dos instrumentos financeiros em geral.

A nível internacional, num contexto de significativa deterioração da atividade económica, os principais índices acionistas tiveram um desempenho assimétrico, quer em termos geográficos quer setoriais, refletindo a evolução e os impactos da situação pandémica e a intervenção dos decisores de política monetária e orçamental. Os mercados europeus (-2,8%) e da América Latina (-13,6%) registaram desvalorizações, enquanto os mercados norte-americano (+21,4%) e chinês (+29,0%) apresentaram fortes subidas. A partir do segundo semestre do ano, a atuação concertada a nível internacional no plano monetário e orçamental permitiu maior estabilidade nos mercados.

No plano nacional, e no mercado acionista, o PSI 20 fechou o ano com uma desvalorização de 6,1%, mais pronunciada do que a do principal índice de referência da Zona Euro (STOXX Europe 600), que caiu 4,0%. Os lucros das empresas que integram o principal índice da bolsa portuguesa tiveram uma diminuição de 40,1% face ao período homólogo, com a quebra nas receitas e o pessimismo quanto à recuperação da economia a levar a maioria das sociedades a decidir não distribuir dividendos.

No mercado de dívida, as yields dos títulos de dívida pública portuguesa mantiveram a trajetória descendente já evidenciada no ano anterior, refletindo um período muito alargado de taxas de juro de curto prazo muito baixas na Zona Euro. Na plataforma MTS, onde a dívida pública nacional é negociada, os valores transacionados foram de 94,8 mil milhões de euros, um decréscimo de 28,7% face ao período homólogo.

A emissão de dívida direta pelo Estado, através de obrigações do Tesouro de taxa fixa, aumentou 52,5% relativamente ao montante colocado no ano transato, para 27,75 mil milhões de euros. Contrariamente ao ocorrido em anos anteriores, não houve qualquer emissão de taxa variável.

Na gestão de ativos, o valor administrado pela gestão coletiva aumentou 5,9% para 25,5 mil milhões, devido principalmente ao crescimento dos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (OICVM), enquanto na gestão individual diminuiu 22% face a 2019, para 48,8 mil milhões de euros. De realçar ainda a procura crescente de organismos de investimento de países terceiros, tendo o valor colocado pelos OICVM estrangeiros aumentado 4,5% para 4,8 mil milhões de euros.

Referência ainda para os fundos de investimento sustentável (ambientais, sociais e de governo societário, ESG na sigla inglesa), cujo montante sob gestão aumentou 31 milhões face a 2019. Em dezembro de 2020 estavam registados em Portugal cinco fundos ESG que, em conjunto, administravam 303 milhões de euros subscritos por 20 439 participantes, maioritariamente pessoas singulares.  


Informação adicional: