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Comunicados

CMVM divulga estudo sobre literacia relativa ao mercado de capitais em Portugal


25 de maio de 2021

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou hoje os resultados de um estudo sobre a literacia financeira relativa ao mercado de capitais em Portugal, o qual caracteriza o perfil do investidor e do não investidor nacional, nomeadamente as suas atitudes, comportamentos e conhecimentos financeiros, e que apoiará a CMVM na sua estratégia de promoção da literacia em Portugal.

"O conhecimento financeiro tem vindo a aumentar ao longo do tempo" havendo uma melhoria na generalidade "desde o último inquérito em 2015, incluindo nas questões numérias genéricas e no conhecimento sobre investimento", é referido no estudo "Financial literacy for investors in the securities market in Portugal".

Iniciativa da CMVM apoiada pela Direção-Geral do Apoio às Reformas Estruturais (DG REFORM), da Comissão Europeia, ao abrigo de financiamento comunitário dedicado à promoção de reformas estruturais nos Estados-membros, o estudo envolveu uma amostra total de 15173 indivíduos e decorreu entre 2020 e início de 2021, já no contexto da pandemia.

Na análise à literacia financeira, o primeiro capítulo foca-se nas atitudes e comportamentos dos portugueses face à gestão da poupança e dos rendimentos e despesas, o segundo nos conhecimentos financeiros, o terceiro nas atitudes e comportamentos nas decisões de investimento ou de não investimento, e o quarto na informação e perceção do funcionamento do mercado.

Os resultados revelam, entre outras dimensões, que:

  • apenas 28% da população portuguesa é investidor (8% já foi investidor) e 64% nunca investiu
  • existe uma correlação positiva entre as habilitações académicas e a propensão para investir (no entanto, apenas 14% da população tem nível de educação superior);
  • quanto maior o rendimento auferido, maior a probabilidade de o inquirido ser ou ter sido um investidor no passado (no entanto, cerca de 1/3 tem rendimentos inferiores a 1.000€ mensais)
  • a população feminina, sendo mais de metade da população portuguesa (53%), está sub-representada no grupo de investidores (57% são do género masculino)
  • mais de um terço dos entrevistados não poupou nos 12 meses anteriores e a percentagem da poupança permanece abaixo da média EU (7% em Portugal vs 11.96% EU)  
  • liquidez e disponibilidade de rendimento são as razões para deixar de investir e começar a investir, respetivamente (31% e 63%)
  • quase um quarto dos respondentes indicam que não leem os documentos contratuais, porque confiam no consultor financeiro ou funcionário do banco (13%) ou porque não os consideram muito importantes (11%)"
  • 18% dos inquiridos responderam corretamente quando questionados sobre o que é capital garantido na maturidade
  • programas de formação (49%), workshops e seminários (35%) são as iniciativas que os inquiridos mais recomendariam para aumentar a perceção dos concidadãos sobre os investimentos
  • a TV ou rádio (46%) e a internet (43%) são os meios onde os respondentes maioritariamente procuram informação sobre assuntos financeiros (sendo que o recurso à internet decresce com a idade)
  • quanto aos investidores apenas 14% dos investidores consulta relatórios divulgados por emitentes enquanto que 60% consulta informação na internet

Os resultados deste inquérito, um dos mais completos já realizados à literacia específica sobre o mercado de capitais, constituem uma ferramenta para o desenvolvimento de iniciativas de literacia financeira focadas em dar resposta aos principais desafios, num momento marcado por maior participação de investidores de retalho no mercado de capitais e pela acelerada digitalização das relações de investimento. São ainda elementos relevantes para a definição de opções de supervisão e comunicação.

Os principais resultados do estudo foram apresentados durante o seminário "Literacia sobre mercados de capitais em Portugal: diagnósticos e desafios". O evento insere-se no programa de comemorações dos 30 anos da CMVM.