CMVM
skip
Idioma
pageBackground
Comunicados

CMVM publica estudo “Risk Outlook” para 2021


19 de janeiro de 2021

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) publicou hoje o "Risk Outlook 2021", que analisa os riscos mais significativos que se perspetivam para 2021 e identifica, entre eles, os três principais: o risco de crédito decorrente do forte impacto da crise pandémica nas empresas não financeiras, famílias e Estados; os riscos ambientais, sociais e de governo societário, com impactos, nomeadamente, na valorização de ativos e nas práticas de mercado; e o risco de mercado, em função das dificuldades de avaliação de ativos e da valorização de risco num contexto de elevada incerteza sobre a evolução e efeitos de longo prazo da pandemia e da política monetária.

"O sistema financeiro português, e em particular a gestão de ativos, esteve entre os que melhor resistiram ao choque pandémico em 2020 a nível europeu. Sociedades emitentes e as gestoras de fundos merecem que lhes seja reconhecida a resiliência, flexibilidade e o foco na gestão de riscos que demonstraram. Face aos desafios e riscos de 2021, importa construir sobre o que já se aprendeu e mantemo-nos atentos, preparados para reagir e focados em oferecer às famílias e às empresas oportunidades de poupança e financiamento adequado às suas necessidades." 
Gabriela Figueiredo Dias | Presidente da CMVM

A crise pandémica provocou um aumento dos riscos macroeconómicos e financeiros globais, mitigados pelas medidas de política monetária e orçamental adotadas pelas autoridades ao longo de 2020. Em Portugal, apesar do aumento do risco de crédito, medidas como as moratórias do crédito concedido e os apoios às empresas permitiram assegurar a solvabilidade tanto de empresas não financeiras como das famílias. Em 2021, o risco de um avolumar de insolvências aumentará de modo relevante caso a pandemia se aprofunde e se assista a uma recuperação económica mais lenta do que o perspetivado, sendo também sensível o momento de retirada de algumas das medidas tomadas para lidar com os riscos de liquidez e o fim da moratória sobre o reembolso de dívidas. Continuarão a ser, por isso, particularmente relevantes os apoios à economia real e à recapitalização de empresas, que permitam transições tão suaves quanto possível quando ocorrer o fim de medidas públicas de apoio à economia e famílias.

Caso não sejam tidas em conta as externalidades negativas decorrentes da ação humana sobre o ambiente, a sociedade e o governo societário (riscos ESG), há um risco acrescido de perdas irreversíveis para os mercados financeiros e para a economia real. A materialização dos riscos associados à perda de biodiversidade, à inação no combate às alterações climáticas, aos impactos negativos a nível social, às fragilidades na governação das organizações e aos fenómenos de "greenwashing" (entre outros) terá um impacto significativo nos mercados financeiros e na economia real. 

Da mesma forma, a velocidade de saída da crise pandémica e eventuais alterações nas políticas públicas de apoio à economia poderão potenciar o risco de mercado e de liquidez em 2021, devido aos potenciais impactos nos resultados das empresas cotadas, no cumprimento do pagamento da dívida, no movimento de subscrições e resgates na gestão de ativos, no risco de distorção do mecanismo de preço, ao potenciar o apetite por ativos de maior retorno e, entre outros,  no risco do aumento da "gamificação" do investimento por parte dos investidores. 

O "Risk Outlook 2021" analisa ainda os riscos potenciais para 2021 decorrentes do acesso cada vez mais generalizado dos investidores aos canais digitais, os riscos de ciberataques e de fraude, bem como outros riscos que se podem materializar e em relação aos quais as entidades reguladoras e de supervisão estão atentas.

Informação adicional: