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Comunicados

Relatório anual de atividade de capital de risco - 2014


O montante global sob gestão das sociedades de capital de risco nacionais e fundos de capital de risco aumentou 10,3% (cerca de 325,9 milhões de euros) face a 2013, para 3,5 mil milhões de euros no final de 2014.

O aumento do valor sob gestão deveu-se sobretudo aos fundos de capital de risco, que registaram uma subida de 428,7 milhões de euros, para 3,3 mil milhões de euros, em linha com o observado desde 2010. Em contrapartida registou-se uma redução do número de fundos de capital de risco (FCR), estando em atividade menos quatro fundos do que no ano anterior.

O segmento de capital de risco manteve uma forte concentração sectorial, com as cinco maiores entidades gestoras a representarem 74,8% do montante total gerido. Nos fundos de capital de risco, o montante médio dos ativos sob gestão foi de 48,0 milhões de euros, no entanto, apenas 15 FCR geriam ativos com valor superior. Os sete FCR com maiores ativos sob gestão detinham cerca de 69,3% do total nacional.

Em 2014, o valor investido pelas SCR e FCR em participações sociais (sociedades anónimas e sociedades por quotas) de empresas residentes aumentou 9,8%, para 642,4 milhões de euros, e em empresas não residentes caiu 16,9% para 401,1 milhões.

Na rubrica 'outros investimentos', que correspondia no final do ano a mais de metade dos ativos sob gestão por tipo de investimento, o aumento verificou-se nas empresas residentes. Dentro desta, a rubrica 'empréstimos' subiu para 616,4 milhões de euros (de 261,2 milhões em 2013), evidenciando que a atuação dos operadores nacionais é, frequentemente, mais próxima da atividade bancária (concessão de crédito) do que é característica do capital de risco (titularidade de direitos residuais de controlo e assunção de riscos acionistas).

O total de empresas participadas ascendia a 552 no final do ano passado, com estes investimentos distribuídos por 1.386 operações.

Da análise do valor das participações em capital social de empresas cotadas, não cotadas e em unidades de participação de fundos de capital de risco conclui-se que:

  • 31,8% das participações não têm qualquer valor;

  • as participações com valor superior a 5.000.000 Euros (5,8% do total) representam 68% do valor das participações geridas pelo capital de risco português.

O capital de risco tem dirigido os seus investimentos preferencialmente para três setores de atividade, as sociedades gestoras de participação social não financeiras, as indústrias transformadoras, e o alojamento, restauração e simulares, sendo estes sectores responsáveis por 58,2% do volume financeiro (2,02 mil milhões de euros) investido na atividade.

No final de 2014, o private equity representava 86,5%, enquanto o venture capital pesava 13,5%.

No âmbito do private equity, o capital aplicado em empresas que pretendem reorientar a sua estratégia (denominada fase de turnaround), teve um crescimento de 13,6% face a 2013 para 1,23 mil milhões de euros. O montante aplicado na fase de 'expansão', representou 23% do total de investimentos.

No que respeita ao venture capital, o investimento em empresas start up totalizou 300,2 milhões de euros, o que representa 8,6% do total aplicado pelas entidades de capital de risco.

O investimento líquido das SCR e FCR, apurado pela diferença entre o montante total de aquisições e de alienações, foi de 29,1 milhões de euros, contra 159,5 milhões de euros em 2013. Tal como no ano anterior, o investimento líquido nas sociedades de capital de risco foi negativo (em cerca de 11,4 milhões de euros), enquanto nos fundos de capital de risco foi positivo em 40,6 milhões de euros.

Em 2014, as entidades gestores de capital de risco efetuaram 291 operações de aquisição (totais ou parciais) e 180 alienações, com 34,4% das aquisições e 58,9% das alienações a envolverem valores inferiores a 50.000 euros. O domínio acionista do capital de risco nas empresas participadas recuou para 24,7% no ano passado, contra 26,4% em 2013.

No período em apreciação foram realizadas 310 operações de desinvestimento, que se concentraram maioritariamente em operações de write-off (84), venda a terceiros (68) e alienação das participações à equipa de gestão ou acionistas (54). Estas três tipologias representaram 43,9% do montante total alienado.

Tal como nos anos anteriores, o capital de risco continua a não introduzir novas empresas no mercado de capitais. Cerca de 11,6% das participações detidas no final de 2014 pelos operadores de capital de risco representavam um valor superior a 2.5000.000 euros, pelo que, em teoria, existem empresas na esfera do capital de risco com condições de realização de IPO.

De referir que, tanto as SCR como os FCR apresentam menos-valias potenciais – ou seja, caso alienassem as suas participações teriam prejuízos – a que não será alheia a envolvente macroeconómica adversa, ou ainda um grande peso do investimento novo feito nos últimos anos e que só a médio ou longo prazo gerará resultados positivos. As SCR apresentam menos-valias potenciais de 83,7% e os FCR de 19,6%. Uma situação explicada pelo facto de 347 das 1.250 participações, no caso dos fundos, e 36 das 148 participações no das sociedades, estarem inscritas com um valor de avaliação nulo.