A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) procedeu a alterações aos Relatórios Estatísticos relativos à Actividade de Recepção de Ordens por Conta de Outrem de Janeiro a Junho de 2008, em consequência de correcções significativas efectuadas pelo Deutsche Bank ao reporte realizado ao abrigo da Instrução da CMVM nº7/2004, nas rubricas Dívida Privada e Outros Valores Mobiliários, para os meses em questão.
Recorde-se que os dados constantes nos Relatórios Estatísticos relativos à Actividade de Recepção de Ordens por Conta de Outrem resultam, salvo indicação em contrário, das informações reportadas à CMVM pelos intermediários financeiros, de acordo com a legislação em vigor.
No primeiro semestre de 2008, o volume de ordens recebidas pelos intermediários financeiros com actividade em Portugal caiu 9,9% face ao período homólogo do ano anterior, para 97,11 mil milhões de euros.
Já o número de ordens cresceu 7,4% para 2.072.506 ordens.
No mês de Junho deste ano o valor das ordens caiu 8,4% comparativamente a Maio último, para 15,53 mil milhões de euros. Ao invés o número de ordens subiu 3,1% para 292.689. Em consequência o volume médio de ordens foi de 53 mil euros.
Face a Junho de 2007 o valor das ordens caiu 20,6%.
O PSI-Geral caiu 26,9% nos seis meses iniciais de 2008 (queda de 13,9% em Junho).
No primeiro semestre de 2008 a dívida privada, com um aumento homólogo de 58% no valor das ordens, foi o segmento dos valores mobiliários em maior destaque. Os outros valores mobiliários (onde se incluem, por exemplo, direitos de subscrição, títulos de participação ou certificados) também apresentaram uma subida acentuada (197%). Em queda estiveram a dívida pública (-81%), os warrants (-34%) e as acções
(-28%).
No mês em análise o volume das ordens subiu face a Maio último em todos os segmentos dos valores mobiliários, com excepção da dívida privada (-57%). As acções registaram um crescimento de 16%.
No primeiro semestre de 2008, o volume das ordens dos investidores residentes caiu 5% em termos homólogos para 64,41 mil milhões de euros. Já o valor dos investidores não residentes decresceu 19% para 32,7 mil milhões de euros.
No sexto mês de 2008 o volume das ordens efectuadas por investidores residentes caiu 1,3% e o dos não residentes 20% face ao passado mês de Maio.
Nos seis meses iniciais de 2008, o volume das ordens nos mercados nacionais apresentou uma queda homóloga de 37% (-49% nos mercados internacionais).
Em Junho de 2008 o volume de ordens nos mercados nacionais apresentou uma variação positiva de 20% (-9% nos mercados internacionais).
Em acções, a França e a Espanha foram os principais destinos, quer no primeiro semestre, quer no mês de Junho de 2008.
Canadá foi o país mais utilizado pelos investidores no mercado de dívida (pública e privada) no mês de Junho último. Em termos semestrais a liderança pertenceu ao Reino Unido.
No primeiro semestre de 2008, o BES Investimento, o BES e o BPI foram os intermediários financeiros com a maior quota de mercado no valor das ordens recebidas em acções, com 16,9%, 16,4% e 9,7% respectivamente. No mês de Junho a maior quota de mercado pertenceu ao BES (18,8%).
No segmento da dívida o BES (52,6%) e Banco Santander de Negócios Portugal (13,2%) registaram as maiores quotas em termos semestrais. Em Junho o BES também liderou (19,9%).
O volume das ordens no mercado de derivados subiu 58,4% em termos homólogos nos primeiros seis meses de 2008, para 153,82 mil milhões de euros. Destaque para a variação dos CFD’s (+153%) e outros derivados (992%). Contudo, os futuros continuaram a ser mais utilizados tendo representado 74% do valor total das ordens. Os activos subjacentes mais usados foram as taxas de juro de curto e longo prazo.
Em termos mensais o volume cresceu 76,7% no mês de Junho, com futuros (+18%) e outros derivados (+457%) a terem um comportamento positivo, em contraste com o observado nas opções (-36%) e CFD’s (-8%). As taxas de juro de curto e longo prazo foram os activos subjacentes mais utilizados.