As ordens de bolsa recebidas durante o mês de Julho pelos intermediários financeiros portugueses totalizaram 7,2 mil milhões de euros e destinaram-se em 57,1% ao mercado português, o que representa uma quebra de 15,6% relativamente ao mês anterior e em relação ao volume de ordens acumulado desde Janeiro (68,6%). Das ordens dadas pelos investidores para mercados internacionais, 7,6% destinaram-se ao mercado francês, 6,7% ao mercado espanhol, 4,3% ao mercado alemão e 4,2% aos mercados norte-americanos.
As ordens recebidas pela Internet representaram, em termos de número 25,7% do total, e em termos de volume 5,8% do total (cerca de 1,9% acima do valor apurado no mês anterior). Das ordens recebidas por este canal, 95% foram dadas por investidores não institucionais (retalho) residentes sobre acções.
Os investidores residentes foram responsáveis por 86,3% do número total de ordens e por 74,6% do volume. Os investidores não residentes deram, por conseguinte, aos intermediários financeiros portugueses 13,7% do número de ordens e 25,4% em termos de volume.
Embora 72,5% do número de ordens tenham sido dadas por investidores residentes de retalho, o volume correspondente representou apenas 23,3% do total. Em contrapartida, apesar de em termos de número de ordens, os investidores institucionais serem responsáveis por 26,6% do total, o volume das respectivas ordens atingiu 73% do total.
Os investidores institucionais deram origem, em Julho, a 68,8% do volume do total de ordens recebidas; os investidores institucionais residentes (66,3%), os investidores não institucionais residentes no total de ordens recebidas para negociação de acções (35%), dos investidores não institucionais residentes no total de ordens recepcionadas (29%), a gestão de activos e empresas de seguros (26,1%) e os investidores não residentes no total das ordens recebidas (25,4%).
As acções foram o tipo de valor mobiliário, em termos acumulados (Janeiro a Julho de 2005), que mais ordens recebeu (152.938) totalizando 31.083.116 milhões de euros, o que representa 49,6% do total. Destas ordens 58% foram efectuadas por investidores residentes, sendo de destacar os investidores não institucionais com 31% e outros institucionais com 17%. Foram, também, realizadas 42% de ordens por investidores não residentes (19% por intermediários financeiros).
A Dívida Pública recebeu 6.652 ordens, atingindo um volume de 22.331.784 milhões de euros, o que equivale a 35,6% do total. Os investidores residentes foram os que mais investiram neste segmento (91%).
Quanto à Dívida Privada, os intermediários financeiros receberam, 59.648 ordens com um volume, em termos acumulados, de 6.482.878 milhões de euros. Das ordens recebidas, 64% foram efectuadas por investidores residentes e 36% por investidores não residentes.
O segmento dos Warrants totalizou de 1.043.529 milhões de euros e recebeu 164.837 ordens, das quais 70% foram efectuadas por investidores residentes e 30% por investidores não residentes.
Ainda em termos acumulados, as ordens recebidas sobre acções totalizaram 31 mil milhões de euros, dos quais 21 mil milhões destinados ao mercado nacional (69% do total). Já as ordens destinadas a mercados internacionais totalizaram 7.262.017 milhões de euros.
As ordens recebidas sobre Dívida Pública e Privada ascenderam, em Julho, a 2.531.060 milhões de euros (menos 8,9% face ao mês anterior), tendo atingido em termos acumulados 28.814.662 milhões de euros.
Quanto à distribuição das ordens sobre acções por intermediário financeiro, o BPI recebeu 16,1% do total (670.872 milhões de euros de volume), seguido o BESI com 13,4% (561.402 milhões de euros) e da Fincor com 12% (502.826 milhões de euros). Já no segmento de Dívida pública e privada, a Intermoney foi o intermediário financeiro que mais volume de ordens recebeu, com 806.799 milhões de euros, o que equivale a 31,9% do total, seguido do BPP (28%) e do BSNP (14,2%). Quanto ao volume de ordens sobre Warrants, a Finanser registou 30,2% do total, seguido do BIG (18,5%) e da Lisbon Brokers (12,2%).
No mês de Julho de 2005, as transacções efectuadas através da Internet cresceram 24% em termos homólogos e 1,3% face ao mês anterior, atingindo 418 milhões de euros, valor mais elevado desde Fevereiro de 2005.
Do volume de transacções online, 79% respeita a mercados nacionais com 38.781 ordens recebidas, tendo a Euronext Lisbon registado 78,3% do total. Os mercados internacionais registaram 21% do volume com 10.245 ordens recepcionadas, tendo os Estados Unidos totalizado 14,1%, a França com 2,6% e a Países Baixos com 1,4%.
Os intermediários financeiros que mais se destacaram em Julho de 2005 no mercado a contado foram o BIG com 24,6% do total (102.782 milhões de euros), o ActivoBank com 23,9% (100.007 milhões de euros) e o BCP com 14,1% (58.755 milhões de euros).
No mercado a prazo, o volume negociado pelo BIG aumentou 8% face a Junho, atingindo um total de 1.063.074 milhões de euros, o que equivale a 54% do total das transacções.
A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) inicia este mês, com dados respeitantes ao mês de Julho, a divulgação mensal destes indicadores estatísticos sobre recepção de ordens por conta de outrem com base na informação prestada pelos intermediários financeiros autorizados pela CMVM para a prestação deste serviço.
Com a divulgação destes dados, a CMVM visa dotar os investidores de mais informação sobre as actividades de intermediação financeira, o tipo de investidores que recorrem aos intermediários financeiros autorizados em Portugal, sobre que valores mobiliários e instrumentos financeiros derivados recaem as ordens, bem como sobre os canais utilizados para a transmissão das ordens.
18 de Agosto de 2005